A Terceira Turma do STJ, ao julgar o REsp 1269897 em 14/03/2013, manteve decisão que aplicou a desconsideração inversa da personalidade jurídica contra a Cimob Companhia Imobiliária para atingir e penhorar bens da Gafisa S/A, por indícios de fraude. O
colegiado, à unanimidade, aplicou a Súmula 7 do STJ, por considerar que,
uma vez afirmada nas instâncias ordinárias a existência de atos
caracterizadores de abuso da personalidade jurídica da empresa, não há
como, em recurso especial, rever esse entendimento, o que exigiria
reexame de provas. Com a decisão do STJ, fica mantida também a
multa diária em razão do descumprimento da obrigação de outorgar as
escrituras definitivas dos imóveis aos proprietários, fixada em R$ 200
em favor de cada um. “Apenas a inércia da Cimob e, em seguida, da
Gafisa, deu causa ao acúmulo da dívida, hoje estimada em R$ 5 milhões”,
afirmou o relator, ministro Sidnei Beneti.
Em
2003, alguns compradores de imóveis ajuizaram ação contra a empresa
Cimob, com o objetivo de obrigá-la a outorgar escrituras definitivas de
compra e venda de imóveis adquiridos na cidade de Ribeirão Preto, no
interior paulista. O pedido de antecipação de tutela feito pelo
grupo foi indeferido pelo juízo de primeiro grau. Mas, em recurso, o
Tribunal de Justiça de São Paulo deferiu a liminar, determinando que se
lavrassem as escrituras, sob pena de multa diária no valor de R$ 200 em
favor de cada um. Julgada procedente a ação e confirmada a
tutela antecipada, a empresa entrou com apelação, que não teve efeito
suspensivo. Os compradores ingressaram então com pedido de execução
provisória, visando efetivar a transferência da propriedade dos imóveis e
cobrar as astreintes (multa diária) correspondentes. Pediram
a desconsideração inversa da personalidade jurídica, para que a penhora
atingisse os bens da Gafisa, ao argumento de que o patrimônio da Cimob
teria sido esvaziado, por meio de manobras fraudulentas que transferiram
os bens para o patrimônio da outra sociedade. O pedido do grupo de compradores foi deferido pelo juízo de primeiro grau e confirmado pelo tribunal estadual.
No STJ, a Gafisa alegou que a desconsideração da personalidade jurídica somente poderia ser deferida após o esgotamento das tentativas de atingir o patrimônio da devedora e dos seus sócios administradores. Afirmou também que estariam ausentes os pressupostos legais para a desconsideração da personalidade jurídica e que ela, Gafisa, não tinha cotas sociais da Cimob. Disse ainda que a Cimob deixou de ser acionista da Gafisa em 2005 e que não poderia ela, Gafisa, ser responsabilizada pelas dívidas societárias da Cimob após o transcurso do prazo de dois anos. Por último, sustentou que o valor da dívida originada de astreinte, hoje na casa dos R$ 5 milhões, segundo estima, deveria ser reduzido, por ser excessivo diante da expressão pecuniária da obrigação descumprida: outorga de escritura definitiva de unidades habitacionais avaliadas em R$ 80 mil.
Em seu voto, o ministro Beneti destacou que, em situações normais, o sócio responde, no caso de sociedade limitada, pela integralização das cotas sociais e, no caso de sociedade anônima, pelo valor da ação. No caso em questão, o ministro afirmou que se trata de responsabilidade extraordinária, fundada na existência de abuso de direito, tanto assim que foi aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Quanto ao valor da multa, Beneti ressaltou que a sua redução em recurso especial só pode ocorrer quando a astreinte for comprovadamente abusiva ou irrisória. “Do contrário se frustrará o próprio escopo e vocação desse instrumento. Tem-se, por consequência, que o valor da multa cominatória há de ser naturalmente elevado para que se torne efetiva a coerção indireta”, avaliou o relator.
No STJ, a Gafisa alegou que a desconsideração da personalidade jurídica somente poderia ser deferida após o esgotamento das tentativas de atingir o patrimônio da devedora e dos seus sócios administradores. Afirmou também que estariam ausentes os pressupostos legais para a desconsideração da personalidade jurídica e que ela, Gafisa, não tinha cotas sociais da Cimob. Disse ainda que a Cimob deixou de ser acionista da Gafisa em 2005 e que não poderia ela, Gafisa, ser responsabilizada pelas dívidas societárias da Cimob após o transcurso do prazo de dois anos. Por último, sustentou que o valor da dívida originada de astreinte, hoje na casa dos R$ 5 milhões, segundo estima, deveria ser reduzido, por ser excessivo diante da expressão pecuniária da obrigação descumprida: outorga de escritura definitiva de unidades habitacionais avaliadas em R$ 80 mil.
Em seu voto, o ministro Beneti destacou que, em situações normais, o sócio responde, no caso de sociedade limitada, pela integralização das cotas sociais e, no caso de sociedade anônima, pelo valor da ação. No caso em questão, o ministro afirmou que se trata de responsabilidade extraordinária, fundada na existência de abuso de direito, tanto assim que foi aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Quanto ao valor da multa, Beneti ressaltou que a sua redução em recurso especial só pode ocorrer quando a astreinte for comprovadamente abusiva ou irrisória. “Do contrário se frustrará o próprio escopo e vocação desse instrumento. Tem-se, por consequência, que o valor da multa cominatória há de ser naturalmente elevado para que se torne efetiva a coerção indireta”, avaliou o relator.
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